Campanha Mundial de Educação para a Paz
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A cultura da paz será alcançada quando os cidadãos do mundo compreenderem os
problemas mundiais, terem a capacidade de resolver os conflitos e lutar pela justiça de
forma não-violenta, observar as normas internacionais de direitos humanos e de justiça,
apreciar a diversidade cultural e respeitar a Terra e o próximo. Somente é possível
alcançar esse aprendizado mediante uma educação sistemática para a paz.
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A Conferência lançará um apelo e uma campanha para apoiar a proclamação pelas Nações
Unidas da Década Internacional de uma cultura de paz e não-violência para as crianças do
mundo e para introduzir a educação para a paz e os direitos humanos em todas as
instituições educacionais, incluídas as faculdades de medicina e de direito. A campanha
será levada a cabo mediante uma rede mundial de associações de educação e grupos de
tarefas regionais, nacionais e locais, integradas por cidadãos e educadores.
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Campanha de ratificação mundial da Corte Penal Internacional
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Na Conferência, a Coalizão de organizações não-governamentais para o estabelecimento
de uma Corte Penal Internacional lançará sua campanha mundial de ratificação do
Estatuto de Roma da Corte Penal Internacional. Será uma corte permanente para levar
ante a justiça os responsáveis pelos genocídios, crimes de guerra e crimes de lesa
humanidade. Para cumprir seu objetivo de conseguir as 60 ratificações, a campanha se
concentrará em informar ao público em geral, todos os setores da sociedade civil, os meios
de comunicação e as autoridades de todo o mundo acerca da Corte Penal Internacional e
seu funcionamento.
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Campanha internacional de proibição de minas terrestres
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A Campanha internacional de proibição de minas terrestres publicará seu primeiro informe
sobre a aplicação do Tratado de Ottawa sobre a proibição das minas terrestres e reiterará
seu apelo à ratificação universal. As próximas medidas da Campanha incluem a
universalização, ratificação e aplicação do Tratado, que proíbe a utilização, a produção, o
armazenamento e a transferência de minas antipessoal. Mediante a Campanha também se
pretende conseguir que os Estados participantes do Tratado cumpram seu compromisso de
aumentar a remoção de minas e a assistência às vítimas em todo o mundo.
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Eliminação das armas nucleares
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Em junho de 1998, a Coalizão do Novo Programa, composta por sete audazes governos:
Brasil, Egito, Irlanda, México, Nova Zelândia, África do Sul e Suécia, exortaram aos
Estados possuidores de armas nucleares a adotar de imediato várias medidas práticas,
como a de desarmar todas as forças nucleares. Apresentaram seu programa em uma
resolução das Nações Unidas aprovada em dezembro de 1998 por 114 votos contra 18.
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Continuando esse impulso, na Conferência de Haia, a Associação Internacional de
Advogados Contrários às Armas Nucleares, INESAP, O Escritório Internacional para a Paz,
a Associação Internacional de Médicos para a Prevenção da Guerra Nuclear, Abolição 2000
e a Iniciativa de Potências Médias lançarão uma campanha para que os Estados
possuidores de armas nucleares e aqueles que não as possuem entabulem negociações
com vistas a concluir rapidamente uma convenção para eliminar as armas nucleares
conforme o disposto no artigo VI do Tratado sobre a não-proliferação e pela Corte
Internacional de Justiça.
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Medidas mundiais para prevenção da guerra
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Na Conferência, o Instituteo for Defense and Disarmament Studies, a Union of Concerned
Scientists e o World Order Models Projects lançarão um Plano de Ação Mundial para
Prevenir a Guerra. Trata-se de um programa amplo em várias etapas para conseguir que os
conflitos armados se convertam em acontecimentos excepcionais.
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No Plano se propõe uma combinação melhorada de medidas de prevenção de conflitos,
manutenção da paz, desarmamento e promoção dos direitos humanos, as soluções não-
violentas e o estado de direito. O Plano tem por objetivo contribuir para o estabelecimento
de uma coalizão que inclua os que pretendem aplicar medidas não-violentas na solução de
controvérsias e educar para a paz, abordar as causas fundamentais da guerra derivadas
da injustiça social e econômica, prestar ajuda humanitária, estimular o desenvolvimento
econômico, prevenir os conflitos, manter a paz e promover o desarmamento, tanto de
armas convencionais como nucleares.
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Impedir a utilização de crianças soldados
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A Coalizão para impedir a utilização de crianças soldados foi estabelecida em maio de 1998
por importantes organizações não-governamentais internacionais, para pôr fim ao
recrutamento e utilização como soldados de menores de 18 anos de idade, tanto por parte
das forças armadas do governo como por grupos armados da oposição. Na Conferência, a
Coalizão internacional, em cooperação com a UNICEF e a Coalizão dos Países Baixos para
impedir a utilização de crianças como soldados, reiterará seu apelo para que se impeça a
utilização de crianças como soldados em todo o mundo e se promovam medidas produzidas
pelo governo e a sociedade civil, sobretudo nos países onde se continua recrutando e
envolvendo crianças em conflitos armados.
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Introdução às linhas principais do Programa de Haia pela Paz e a Justiça
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Os quatro pontos principais do Apelo de Haia: as causas principais da guerra/a
cultura de paz, o direito e as instituições internacionais nos âmbitos do direito
humanitário e dos direitos humanos, a prevenção, solução e transformação de
conflitos violentos, o desarmamento e a segurança humana - pretende-se expor,
com a maior exatidão possível, as questões, iniciativas e princípios enunciados
pelas organizações participantes. Em vários casos, os termos e o estilo
empregados em um determinado tema do programa foram propostos por uma
coalizão de organizações ou convencionou-se através de prolongadas
deliberações com os grupos interessados. Para que as numerosas contribuições
recebidas tenham a maior repercussão possível, não tratamos de uniformizar o
estilo das seções relativas aos quatro pontos, nem eliminamos certas repetições.
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As Causas principais da guerra/cultura de paz
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1. Educar para a paz, os direitos humanos e a democracia
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Para combater a cultura da violência que afeta a nossa sociedade, a geração vindoura
merece uma educação radicalmente diferente que, ao invés de celebrar a guerra, eduque
para a paz, a não-violência e a cooperação internacional. Mediante o Apelo de Haia pela
paz pretende-se lançar uma campanha mundial para dotar as pessoas de todos os setores
da sociedade com as atitudes de mediação, transformação de conflitos, promoção de
consenso e mudança social não-violenta, que fazem possível o estabelecimento da paz:
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No marco da campanha:
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Insistir em que a educação para a paz seja obrigatória em todos os níveis do
sistema educativo.
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Exigir que os ministérios de educação ponham sistematicamente em prática
iniciativas de educação para a paz nos âmbitos local e nacional.
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Pedir aos organismos de assistência ao desenvolvimento que promovam a
educação da paz como componente da formação de educadores e a produção de
material pedagógico.
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2. Combater os efeitos adversos da mundialização
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A mundialização econômica marginalizou grandes seções da população mundial,
aumentando a distância entre ricos e pobres.
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O Apelo de Haia pela Paz defende a criação de uma ordem econômica mundial
justa em que se dê especial ênfase em:
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Uma campanha internacional entre organizações locais, nacionais,
internacionais e intergovernamentais para promover o respeito aos direitos
trabalhistas.
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Uma reforma democrática do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional,
da Organização Mundial de Comércio e outras instituições financeiras
internacionais.
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A regulamentação do sistema financeiro internacional.
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A prestação de contas pelas empresas multinacionais, incluídas propostas para
outorgar mandatos internacionais e revogá-los em caso de abuso grave e
propostas encaminhadas a promover o respeito aos códigos e normas
internacionais de comercialização.
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O financiamento do desenvolvimento econômico com novos recursos, como os
encargos moderados da transferência internacional de armas ou fundos
(imposto Tobin).
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Ampliação do Grupo dos Oito para Grupos dos Dezesseis, ou criação de um
conselho de segurança ambiental que inclua países do mundo em
desenvolvimento.
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Perdão das pesadas dívidas dos países mais pobres do mundo e das afrontosas
dívidas herdadas dos governos não democráticos corruptos, pelos governos
democráticos que os sucederam.
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Reconhecimento e exercício dos direitos econômicos, sociais e culturais,
incluídos o direito ao desenvolvimento, os direitos da criança e os direitos da
mulher.
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3. Promoção da utilização sustentável e eqüitativa dos recursos do meio ambiente
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Como indicado no Informe sobre Desenvolvimento Humano 1998 do Programa das Nações
Unidas Para o Desenvolvimento, "os consumidores dominantes do mundo concentram-se de
maneira esmagadora entre os que têm boa situação, porém, o dano ambiental provocado
pelo consumo mundial recai mais severamente sobre os pobres".
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O Apelo de Haia pela Paz apóia as iniciativas encaminhadas a:
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Fortalecer o direito internacional ambiental e sua aplicação mediante, entre
outras medidas, a promoção do conceito do direito fundamental a um
ambiente limpo e são.
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Encarar os problemas do consumo excessivo e a má distribuição dos recursos
ambientais.
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Abordar o tema cada vez mais grave que planteia a distribuição não eqüitativa
da água.
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Apoiar as campanhas para salvar da degradação ambiental os bosques e
espécies do mundo (incluída a espécie humana).
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Pôr fim à destruição militar do meio ambiente e, em particular, à militarização dos
territórios indígenas.
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Determinar outros métodos de desenvolvimento sustentável.
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4. Eliminar o colonialismo e o neocolonialismo
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As populações indígenas e os que não têm representação padecem a supressão de seu
direito à livre determinação, o genocídio étnico e cultural, a violação de suas liberdades
culturais, de idioma e de culto, a militarização e nuclearização de suas vidas, terras e
águas.
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