Desarmamento:
Uma Questão de Vida
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Concluindo: As armas que as pessoas compram...

Não as defendem.

Podem matar alguém, dentro e fora de casa, ou ainda provocar um acidente.

Podem ser roubadas.


As armas que estão matando, de fato, são curtas, de
calibre permitido e fabricadas no Brasil.

. É um mito achar que as armas que nos ameaçam são armas de cano longo,
estrangeiras, contrabandeadas.

. 80% das armas usadas em crimes são armas curtas (pistolas: 15% e
revólveres: 65%)
[1].

. 76% destas armas são brasileiras e 63% da marca Taurus-Rossi [2].

. As armas estrangeiras e de cano longo são usadas nos enfrentamentos entre
quadrilhas, criminosos e a polícia.

. O que nos ameaça nos assaltos e em situações banais são pistolas e
revólveres, na maioria produzidas no Brasil.

Fontes:
[1] SUS / ISER / SSP-RJ – Pesquisa feita com 225.000 armas de fogo acauteladas no Rio
de Janeiro entre 1951 e 2003.
[2] SUS / ISER / SSP-RJ – Pesquisa feita com 225.000 armas de fogo acauteladas no Rio
de Janeiro entre 1951 e 2003.


Apostamos no desarmamento porque, diferentemente das drogas, as armas
sempre começam legais, nas fábricas, e passam a ser ilegais no meio do
processo. Isto quer dizer que precisamos controlar a produção e comércio
dessas armas enquanto elas ainda são legais.

Como as armas legais viram ilegais?

. Roubo e furto de cidadãos que detêm armas legalizadas ou venda destas para
terceiros.
. Desvios feitos pelo poder público ou empresas de segurança privada.
. Exportação 'bumerangue', quando as armas saem legalmente do país e
voltam pela fronteira ilegalmente.

Exemplo: o Paraguai foi o segundo país que mais importou armas do Brasil:
cerca de US$ 27 milhões em dez anos, sendo que tem uma população de 6
milhões de habitantes.


As indústrias de armas não irão fechar suas portas
nem demitir funcionários.

. Temos 6 indústrias de armas no Brasil. Destas, a Taurus + Rossi (que
pertencem ao mesmo grupo) e a CBC (Cia Brasileira de Cartuchos) são as
principais.

. Ambas continuarão vendendo armamento para as Polícias e Forças
Armadas.

. Além disso, continuarão exportando. E muito! 63% da produção das
indústrias de armas brasileiras são para exportação.

Taurus %CBC %2003
6547Exportação
1226Poder Público
2327Mercado civil


Fonte: [1] DFP (Demonstrações Financeiras Padronizadas), IAN-CVM


. A maior parte dessas indústrias, além de armas, produzem outros objetos,
como coletes a prova de balas, ferramentas de mão e máquinas.

. Para se ter uma idéia, apenas 41% da produção do Grupo Taurus corresponde
a armas
[1].

. Segundo o IBGE, em 2002, a indústria de armas no Brasil empregava 6.442
pessoas, o que representa 0,02% dos empregos formais no Brasil.

. Destes 6.442 funcionários, apenas 12% trabalham na produção de armas. Ou
seja, 0,0042% dos empregos formais no Brasil.

Fonte:
[1] CVM (Comissão de Valores Mobiliários)


. Armas e munições representam 0,048% dos 29% da economia brasileira que
cabem à Indústria
[1].

. A exportação de armas e munições representam 0,001% das exportações
brasileiras.

. Esses valores não têm comparação com o que foi gasto em 2002 pelo sistema
público de saúde: entre R$130 e R$140 milhões para tratar de feridos por armas
de fogo!

Fonte:
[1] PIA-Produtos, 2002


O processo de desarmamento no Brasil está
reafirmando a democracia.

Tirar as armas de circulação do país não é uma tentativa de instaurar um
governo ditador. Afinal, as armas não dão força à democracia e ao cidadão, ao
contrário. Acreditamos que esta força vem da consolidação e aprimoramento
das instituições democráticas.

Neste sentido, o Referendo popular é um instrumento extremamente
democrático: chama a população para opinar sobre um tema de imensa
relevância para a construção de uma sociedade mais pacífica.


O desarmamento é o primeiro passo.

. O desarmamento não é a única solução para o problema da violência, que é
multicausal, mas é o primeiro passo.

. Existem vários fatores que influenciam a violência (a desigualdade social, a
qualidade do ambiente urbano, a eficiência dos sistemas de justiça e segurança
pública etc.). Mas, com a diminuição da circulação de armas em nossa
sociedade, será possível diminuir o número de pessoas que perdem a vida por
motivos banais.

. O que hoje é um assassinato poderia ser uma agressão. Mesmo que a
proibição da venda de armas de fogo consiga reduzir apenas esses homicídios,
já terá prestado um grande favor à nação, podendo salvar milhares de vidas
anualmente!


A Segurança é pública.

A campanha de entrega voluntária de armas (que teve início em julho de 2004)
já apresenta resultados muito interessantes:

. 400.985 armas entregues até 01/08/05.

. Em números absolutos, São Paulo foi o Estado que mais arrecadou: 113.066
armas!

Essas armas estão deixando de ser usadas em
conflitos interpessoais e também de ser
roubadas em assaltos.

. Redução do número de armas furtadas no país: De 40 mil em 2003, para 15 mil
em 2004.

Veja matéria
Jornal: O ESTADO DE S. PAULO
Caderno Metrópole
Sábado, 3 de setembro de 2005

Morte por arma de fogo cai 8,2%

Ministério registrou no ano passado 3234 casos a menos que em 2003,
resultado atribuído ao Estatuto do Desarmamento.

Depois de 13 anos de aumento constante, o número de mortes por arma de
fogo caiu no país.
No ano passado, morreram 36.091 – 3.234 a menos do que em 2003, isso
significa redução de 8,2 %.
O Governo atribuiu a queda à campanha do desarmamento, programa de
entrega voluntária de armas iniciado em julho de 2004.
Feita pelo Ministério da Saúde, a pesquisa constatou a redução das mortes em
18 Estados. Mato Grosso foi o que apresentou a maior queda: 20,6, em relação
a 2003. Em números absolutos, o maior impacto na estatística foi registrado
em São Paulo: 1.960 mortes a menos do que o notificado em 2003.


Redução do número de internações por arma de fogo
em SP e RJ:

. Comparando-se os sete primeiros meses de 2004 com os sete primeiros
meses de vigência da Campanha de Desarmamento - agosto de 2004 a
fevereiro de 2005 - um estudo do Ministério da Saúde mostrou que o índice de
redução de internações por lesões com arma de fogo no Rio de Janeiro foi de
10,5% e, em São Paulo, de 7%.


Vidas salvas em outros países:

. Na Austrália, 5 anos depois de uma lei que praticamente proibiu a venda de
armas de fogo, a taxa de homicídios por arma de fogo caiu 50%. Entre as
mulheres, a diminuição foi de 57%.
[1]

. Um estudo da UNESCO, publicado em 2005, mostra que Austrália, Inglaterra e
Japão, onde as armas são proibidas, estão entre os países do mundo onde
MENOS se mata com arma de fogo, enquanto os Estados Unidos, um dos países
mais liberais com as armas, aparecem em 8º lugar, entre os países mais
violentos do mundo.

Fonte:
[1] Australian Institute of Criminology, 2003.


Já temos alguns resultados agora, mas acreditamos
que teremos resultados ainda maiores no futuro!

. Um bom exemplo é a maior conscientização da população quanto aos riscos
de se ter uma arma de fogo.

. Além disso, na maior parte dos estados do país foram formados comitês pelo
desarmamento, que agregam diversas organizações da sociedade civil e o
poder público.


Referendo Popular – Campanha pelo SIM

No dia 23 de outubro os brasileiros responderão nas urnas à seguinte pergunta:
"O comércio de armas de fogo e munições deve ser proibido no Brasil?"

SIM! Pela primeira vez os brasileiros terão a oportunidade de decidir sobre o
bem mais precioso que têm: a VIDA.

O voto será obrigatório para maiores de 18 anos e menos de 70.
Entraremos agora numa enorme Campanha pelo SIM no Referendo.



Atenção:


Muitas pessoas acham que devem votar Não às armas, mas quem é a favor do
desarmamento deve votar SIM!

SIM à proibição do comércio de armas no país.

E lembre-se: o SIM será representado pelo número 2 na urna.


O que fazer a partir de agora?

Antes de encerrar esta apresentação vamos pensar como cada um de nós pode
ajudar a Divulgar o Desarmamento no Brasil. Como fazer a Campanha pelo SIM!

Se você é da cidade de São Paulo, o Instituto Sou da Paz terá em breve
materiais da campanha pelo SIM (cartazes, folhetos, adesivos etc). Distribua
este material no seu local de trabalho, no seu prédio, na sua rua, no comércio
local. Todos podemos fazer a nossa parte!

Se você é do Estado de São Paulo, muitas cidades estão criando Comitês
Municipais pelo desarmamento. Verifique se existe um na sua cidade. Caso
contrário, articule parceiros locais para formar um. O Instituto Sou da Paz
poderá ajudá-los neste processo.

Se você não é de São Paulo, procure o Comitê pelo Desarmamento do seu
estado. Eles poderão ajudá-los a fazer uma palestra ou evento sobre o tema.
Também terão mais informações da Campanha.


Trabalhar o tema com diversos grupos!

O Instituto Sou da Paz disponibiliza o KIT de Mobilização pelo Desarmamento a
todos que quiserem ser multiplicadores da causa. Mas você também pode
reproduzir esse KIT e distribuir para amigos interessados em fazer palestras. (O
KIT contém esta apresentação, os vídeos complementares, um documento de
apoio ao palestrante além de mais documentos com dados e argumentos.Tudo
gravado no DVD e CD respectivamente).

O Instituto Sou da Paz conta com a ajuda do grupo de voluntários Agentes da
Paz, preparados para dar palestras sobre o tema em diversos espaços.

Com a realização do Referendo, veremos o Brasil todo falar sobre
desarmamento. É preciso que a população esteja consciente na hora de votar.

Por isso, fique atento às novas informações, debates, atividades e atos
simbólicos. Participe, debata, leve informações.


O Brasil só conseguirá esta importante vitória
com a ajuda de todos!

Instituto Sou da Paz
Tel. 11 3812-1333

Links para pesquisar e divulgar:
www.soudapaz.org
www.desarme.org
www.referendosim.com.br
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