Declaração Ubuntu Sobre Educação,
Ciência e Tecnologia para o
Desenvolvimento Sustentável

Johanesburgo, África do Sul, 4 de setembro de 2002
No empenho de fazer com que soluções integradas trabalhem no sentido do
desenvolvimento sustentável, e da mobilização do setor educacional para contribuir com o
desenvolvimento sustentável;

Nós, as organizações educacionais e científicas do mundo,

Universidade das Nações Unidas, UNESCO, Academia Africana de Ciência, Conselho
Internacional pela Ciência, Associação Internacional de Universidades, Campus
Copernicus, Educação Superior Global pelas Parcerias de Sustentabilidade, Conselho de
Ciência da Ásia, Academia de Ciência do Terceiro Mundo, Líderes Universitários para
um Futuro Sustentável, e Federação Mundial de Organizações de Engenharia,

Convidamos a uma iniciativa que fortaleça a educação científica e tecnológica.

Cientes de que soluções integradas pelo desenvolvimento sustentável dependem da
aplicação continuada e eficaz da ciência e da tecnologia, e de que a educação é fator
crítico para estimular que se abordem os desafios do desenvolvimento sustentável.

Endossando a Carta da Terra como conjunto de princípios e diretrizes equilibrados,
fundamentais e inspiradores para se construir uma sociedade global justa, sustentável
e pacífica no século 21, princípios esses que devem permear todos os níveis e setores
da educação.

Observando que a ciência compreende todas as ciências – naturais, sociais e
humanas.

Reconhecendo a necessidade de construir uma ponte que transponha o hiato de
conhecimento entre as nações do mundo através de uma retificação fundamental na
distribuição da educação para sustentabilidade.

Reconhecendo que o objetivo último da educação em todas as suas formas é prover
conhecimento, habilidades e valores a fim de empoderar as pessoas a operarem
mudanças.

Preocupados com o fato de que a educação não vem sendo utilizada como veículo
para alcançar um desenvolvimento sustentável.

Reafirmando o papel indispensável da educação para se promover desenvolvimento
sustentável, e o importante papel desempenhado pela educação na mobilização da
ciência e da tecnologia em prol da sustentabilidade, tal como descrita no capítulo 36
da Agenda 21.

Relembrando a Declaração de Luneburg sobre Educação Superior para o
Desenvolvimento Sustentável de 10 de outubro de 2001, e sua ênfase no papel
indispensável da educação superior, que informa e apoia toda a educação na tarefa de
abordar os desafios críticos do desenvolvimento sustentável.

Reconhecendo que a comunidade científica e tecnológica, tal como representada pelo
Conselho Internacional para a Ciência, Academia de Ciências do Terceiro Mundo, e
Federação Mundial das Organizações de Engenharia, ao longo deste World Summit for
Sustainable Development (WSSD) pediu por um novo contrato social entre ciência,
tecnologia e sociedade para o Desenvolvimento Sustentável.

Determinados a trabalhar para atingir as metas contidas na Declaração do Milênio, no
Monterrey Consensus e na Declaração de Desenvolvimento de Doha.

Incitamos os Governantes do WSSD e a agenda pós-WSSD a:

Designar os educadores como décimo grupo interessado no processo do WSSD.

Conclamamos os educadores, governos e todas as partes interessadas a:

Rever os programas e currículos de escolas e universidades, a fim de melhor enfrentar
os desafios e oportunidades do desenvolvimento sustentável, concentrando-se em:
­Planos locais, regionais e nacionais;
­Criar módulos de aprendizado que ofereçam habilidades, conhecimento,
reflexão, ética e valores como um conjunto equilibrado;
­Educação fundada em problemas na escola primária e secundária a fim de
desenvolver abordagens integradas, e não instrumentais, à solução de
problemas desde os primeiros estágios do ciclo educacional;
­Pesquisa científica fundada em problemas na educação superior, tanto como
abordagem pedagógica como na função de pesquisa;

Envidar esforços para atrair os jovens para o ofício de professor a fim de atingir as
metas do Milênio de acesso universal à educação primária, e fortalecer continuamente
a educação secundária e superior. Nos países desenvolvidos o principal desafio dos
próximos anos será o de estancar o grande fluxo de saída de professores experientes
que chegam à idade da aposentadoria ou partem para outros desafios.

Desenvolver mecanismos permanentes para oferecer aos professores e incorporar aos
currículos informação sobre os progressos no conhecimento científico e tecnológico
relevantes ao desenvolvimento sustentável.

Promover transferência de conhecimentos de forma inovadora a fim de acelerar o
processo de preenchimento das lacunas e desigualdades na área do conhecimento.
Esta é uma responsabilidade conjunta de professores, escolas, instituições de
pesquisa e educação e dos governos.

Para atingir estes desafios e objetivos, estamos resolvidos a trabalhar em favor de um
novo espaço global de aprendizado sobre educação e sustentabilidade que promova
cooperação e troca entre instituições de todos os níveis e em todos os setores da
educação no mundo todo. Esse espaço deve ser desenvolvido com base nas redes
internacionais de instituições e na criação de centros de excelência regionais, que
congregam universidades, politécnicas, e instituições de educação secundária e
escolas primárias. Convidamos todos os outros atores responsáveis a unirem-se a nós
nesse esforço.



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