COMITÊ PAULISTA PARA A DÉCADA DA CULTURA DE PAZ
2001 - 2010
70º Fórum do Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz
parceria UNESCO - Palas Athena


TERAPIA COMUNITÁRIA: UMA PRÁTICA A SERVIÇO
DA SAÚDE E DIGNIDADE DA PESSOA

Profa. Dra. Marilene Grandesso


Desde sua criação há 20 anos junto à Comunidade de Pirambu, em Fortaleza-CE, a Terapia
Comunitária tornou-se uma prática presente em quase todos os estados brasileiros e em
outros países como França e Suíça. Criada e desenvolvida pelo psiquiatra, antropólogo e
teólogo cearense Adalberto Barreto a Terapia Comunitária Sistêmica Integrativa apresenta-
se como uma abordagem complementar às práticas comunitárias já existentes.

O sofrimento, em qualquer das suas dimensões, tende a isolar as pessoas, diminuindo e
enfraquecendo os vínculos, minimizando a possibilidade de trocas colaborativas e relações
de mútua ajuda. A Terapia Comunitária apresenta-se como uma forma de promover relações
de afeto e respeito, iluminando e fortalecendo as redes solidárias a serviço do
pertencimento e inclusão social. Os participantes das rodas de Terapia Comunitária podem
experimentar um sentido de empoderamento à medida que os saberes individuais e
comunitários são legitimados, e as competências reconhecidas e valorizadas.

Trata-se de uma abordagem simples no seu desenvolvimento, construída em linguagem
popular, resgatando valores e práticas culturais, de forma intimista e pessoal. Pode ser
praticada com grandes grupos e em qualquer lugar onde as pessoas se reunam num
contexto de escuta respeitosa e de diálogo. Um de seus principais pressupostos é que toda
pessoa tem suas competências e que a comunidade organizada pela escuta aberta e
acolhimento caloroso promove mudanças produtivas para a saúde, bem estar e trocas
colaborativas. Entre seus diferenciais se destacam:

• Ênfase no comunitário, sem negligenciar a contribuição individual e a autonomia
• Valorização do sentido de ação conjunta, co-autoria e responsabilidade relacional • Foco
nas possibilidades de transformação, mais do que em problemas
• Configuração de relações horizontais de mútua aceitação e respeito
• Busca do que as pessoas e comunidades têm de melhor, como alavancas para mudanças
• O espaço público como contexto para realização da prática, de forma séria e eficiente,
porém, deselitizada
• Circulação dos saberes, promovendo o mútuo aprendizado
• Valorização do conhecimento construído a partir da experiência vivida
• Promoção da reflexão e da ação comprometida, a partir de uma consciência ampliada
• Exercício do posicionamento cidadão.

No contato com as comunidades constata-se a efetividade desta abordagem na construção
de vínculos entre pessoas, no resgate da cidadania e no reconhecimento de direitos. Nelas
surge o contexto ideal para compreender o significado do que chamamos resiliência.


Marilene Grandesso - Psicóloga, doutora em Psicologia Clínica, terapeuta comunitária,
professora e supervisora do curso de Terapia Familiar e de Casal do NUFAC-PUC-SP.
Fundadora e coordenadora do INTERFACI - Pólo Formador em Terapia Comunitária,
Terapeuta de Famílias, Casais e Indivíduos, Primeira presidente da ABRATECOM - Associação
Brasileira de Terapia Comunitária. Coordenadora do CDC - Conselho Deliberativo e Científico
da ABRATEF - Associação Brasileira de Terapia
Familiar. Organizadora do livro Terapia e Justiça social: respostas éticas às questões de dor
em terapia (2001); co-organizadora do livro Terapia Comunitária: tecendo redes para a
transformação social - saúde, educação e políticas públicas (2007).

ENTRADA FRANCA
10 de março de 2009 · terça-feira · 19 horas
Auditório do MASP · Museu de Arte de São Paulo
Avenida Paulista, 1578 - São Paulo / SP - Estação Trianon-MASP do Metrô
Informações: Palas Athena (11) 3266-6188
Realização: Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz