COMITÊ PAULISTA PARA A DÉCADA DA CULTURA DE PAZ
2001 - 2010
67º Fórum do Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz
parceria UNESCO - Palas Athena


O impacto da primeira infância
na compreensão do mundo

Dr. João Augusto Figueiró
A idéia de que a primeira infância é um período decisivo na formação do adulto encontra
sustentação em dados recolhidos nos últimos 100 anos de pesquisas científicas. De fato,
os primeiros seis anos são fundamentais para a constituição da pessoa. Achados recentes
da Neurociência oferecem evidências de que acontecimentos precoces de natureza física
ou emocional permanecem inscritos por toda vida nas conexões sinápticas através de
fenômenos biomoleculares. Todos construímos um mapa da realidade a partir das
experiências da infância. Assim, é possível, e muito mais eficiente, lançar os fundamentos
da cultura de paz na primeira fase de vida.

A Sociedade Internacional de Prevenção ao Abuso e Negligência na Infância mostra que
no Brasil 6,6 milhões de crianças abaixo dos 14 anos são agredidas anualmente, o que
corresponde à média de 12 por minuto. É preciso agir preventivamente contra esses
abusos físicos, sexuais e psíquicos oferecendo à criança ritmo, atenção, bons modelos de
identificação, ambiente familiar saudável e estável e constância de vínculos, dentro de
constelações sociais confiáveis que estimulem o desenvolvimento, o aprendizado de
valores relacionados à cultura de paz e não exclusivamente direcionados ao consumo, à
competição e à rivalidade.
Interferir adequadamente na infância é um desafio, e os achados científicos recentes
podem contribuir para a implantação de práticas pedagógicas e políticas relativas à
primeira infância voltadas à promoção da cultura de paz através do fomento da saúde
mental e social (salutogênese) e de formas de educação e cuidado da criança que
contribuam para que ela possa resolver de forma pacífica e não-violenta os seus conflitos,
lidando de maneira respeitosa e generosa com o outro e com o ambiente, e confrontando-
se com a realidade de forma construtiva e inclusiva das diferenças (resiliência). De fato,
os conceitos de salutogênese e resiliência podem ser relevantes para explicar porque
alguns indivíduos conseguem triunfar em ambientes eminentemente hostis e adversos.

JOÃO AUGUSTO FIGUEIRÓ é médico e psicoterapeuta do Hospital das Clinicas da FMUSP.
Trabalhou ativamente na implantação de atividades da
Universidade da Paz
em São Paulo e na construção da Rede Gandhi. É membro fundador e diretor científico do
Instituto
Zero a Seis - Primeira Infância e Cultura de Paz.


ENTRADA FRANCA

9 de setembro de 2008 - terça-feira - 19 horas
Auditório do MASP - Museu de Arte de São Paulo

Av. Paulista, 1578 - São Paulo - SP (Estação Trianon-Masp do Metrô)

Informações: Palas Athena (11) 3266-6188


Realização: Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz