58º Fórum do Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz
- um programa da UNESCO -



Onde começa a Paz?

Profª. Dra. Denise Gimenez Ramos

É possível vivermos "em paz" quando conflitos internos tiram nosso
sono, provocam irritações e desarmonia em nossa realidade? Será
possível uma atitude amistosa, de compaixão, quando estamos
totalmente invadidos por pensamentos perturbadores e dores d'alma
que interferem em nosso bem-estar e na nossa percepção daquilo
que nos cerca? Ao analisarmos um evento recente - um jovem que
matou 32 pessoas em um campus universitário - fica evidente que a
paz externa não garante a paz interna. Sentimentos e emoções
reprimidas, como um vulcão, irrompem numa matança indiscriminada,
para horror de todos. Mas, o que aconteceu?

Veremos, nesse encontro, como a falta de autoconhecimento leva-
nos a projetar memórias inconscientes no outro, que se torna amigo
ou inimigo à primeira vista. O mundo passa a ser nada mais do que o
espelho de nosso interior. Simpatias e antipatias são imediatamente
formadas, mesmo antes que o outro pronuncie seu nome: "tem um
olhar calmo, deve ser uma boa pessoa", "não sei quem é, mas não fui
com a cara dele", ou "pela cara, não presta". Conflitos internos levam
ao estabelecimento de uma cortina de ilusões que distorce minha
visão de quem eu sou e de quem é o outro. O outro, que mal
conheço, é "um chato", antipático e prepotente que só quer me lesar,
e, portanto, precisa ser destruído antes que me destrua.

Os conflitos também se expressam no corpo, nas tensões musculares
que carregamos como uma armadura protetora e ao mesmo tempo
enrigecedora de nosso ser. Ficam sedimentados como sintomas
doloridos, formando os mais diferentes tipos de doenças. Nesse
encontro, iremos também conversar sobre os mecanismos que
provocam dor e sofrimento e como esses nos impedem de viver a
realidade presente. O simbolismo do corpo e sua expressividade na
cultura contemporânea serão analisados, com ênfase na doença que
mais mata no mundo moderno: doenças do coração. O coração, como
símbolo do amor, tornou-se, em nossa cultura, centro de conflitos e
desarmonia. Recuperá-lo é uma tarefa urgente e ao alcance de todos
nós.

Denise Gimenez Ramos, psicóloga clínica, coordenadora do Programa de Estudos Pós-
Graduados em Psicologia Clínica e do Núcleo de Estudos Junguianos da PUC-SP. É
membro analista da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica e da International
Association for Analytical Psychology da qual foi vice-presidente. Membro da Academia
Paulista de Psicologia (cadeira no. 27). Editora da revista Junguiana e autora de vários
artigos e livros entre eles: A Psique do Coração, A Psique do Corpo, The Psyche of the
Body, Corruption: symptom of a cultural complex in Brazil?; co-autora: Um estudo sobre
o simbolismo animal - do instinto à consciência e Religião: Ano 2000.Palestrante
nacional e internacional, já tendo dado palestras em Londres, Assisi (Itália), Buenos
Aires, Santiago del Chile, Los Angeles e Chicago, além de em várias cidades do Brasil.

ENTRADA FRANCA


7 de agosto de 2007 - terça-feira - 19 horas

Auditório do MASP - Museu de Arte de São Paulo
Av. Paulista, 1.578 - São Paulo - SP
(Estação Trianon-Masp do Metrô)

Informações: Palas Athena (11) 3266-6188

Realização: Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz

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