48º Fórum do Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz
- um programa da UNESCO -


Moral e Ética -
Dimensões Intelectuais e Afetivas

Prof. Dr. Yves de La Taille

Falar em felicidade costuma fazer sorrir um bom número de intelectuais,
que vêem nesse tema uma preocupação apolítica, frívola e boa apenas
para inspirar livros de auto-ajuda. E mesmo se falarmos em "virtudes" –
cujo cultivo era, para Aristóteles, condição necessária ao usufruto de uma
"vida boa" – bom número de cientistas socais e de filósofos verão nesse
tema mais um perigo no campo da alienação política do que uma
perspectiva real de perfectibilidade do homem A felicidade seria decorrente
da ordem das reformas sociais, não da sabedoria individual. Porém, ao lado
dos céticos que são, cremos, a maioria, há outros, notadamente filósofos
e psicólogos, que parecem perceber a necessidade, para não dizer a
urgência, de retomar o tema da felicidade. Não para justificar a deserção
da política, mas sim porque seu abandono causou mais impasses do que
soluções. Para dar apenas quatro exemplos, citemos Taylor, Ricoueur,
Comte-Sponville e MacIntyre. De minha parte, enquanto especialista em
Psicologia Moral, estou convencido que o tema da felicidade é essencial
para se compreender os comportamentos humanos, entre os quais os
comportamentos morais.

Para explicitar essa tese, parto da diferenciação dos conceitos de moral
e ética
. O plano moral é aquele dos deveres e sua contrapartida
psicológica é o sentimento de obrigatoriedade. Como vários conteúdos
podem ocupar o plano moral, elejo os de justiça, generosidade e honra
como necessários para compor uma moral. O plano ético é aquele das
respostas dadas para viver uma vida que faça sentido – condição
necessária à felicidade. Como também há várias formas de dar sentido
à vida
, e como nem todas são coerentes com a moral, chamo de ética
(junto com Paul Ricoeur) a perspectiva de uma via boa, para e com
outrem, no seio de instituições justas.

Isto posto, serão analisadas as dimensões intelectuais (regras, princípios,
equacionamento e sensibilidade morais) e afetivas (amor, medo, simpatia,
indignação, confiança, culpa e vergonha) presentes no desenvolvimento
moral e suas relações com a ética (sentimento de auto-respeito).
Procurarei assim mostrar a íntima relação psicológica entre moral e
ética
e as implicações educacionais de tal relação, com destaque para a
construção da personalidade, ela mesma um valor.

Yves de La Taille nasceu na França, mas desde criança vive no Brasil. É professor
de Psicologia do Desenvolvimento Moral e chefe do Laboratório de Estudos do
Desenvolvimento e da Aprendizagem do Instituto de Psicologia da USP. Investiga o
desenvolvimento moral desde a década de 80, e é um dos especialistas mais
respeitados do país nessa área. Autor, entre outros, de Limites: Três Dimensões
Educacionais e Vergonha
, a Ferida Moral. É co-autor, com o Professor Mario Sergio
Cortella, de Labirintos da Moral.

ENTRADA FRANCA

9 de maio de 2006 - terça-feira - 18 horas
Auditório do MASP - Museu de Arte de São Paulo
Av. Paulista, 1.578 - São Paulo - SP (Estação Trianon-Masp do Metrô)

Realização: Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz
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