45º Fórum do Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz
– um programa da UNESCO –


REFLEXÕES E VIVÊNCIAS A PARTIR DO
COMPROMISSO COM POPULAÇÕES EXCLUÍDAS
Padre Júlio Lancellotti


Nossas sociedades excludentes têm reduzido as possibilidades de trabalho,
privando boa parte de seus filhos do acesso à moradia, educação, saúde e
demais condições básicas à dignidade humana e ao exercício pleno do
direito de cidadania.

Quase três bilhões de pessoas, ou metade da humanidade, é hoje obrigada
a sobreviver com menos de dois dólares por dia e um terço dessa
população sequer atinge um dólar de renda média diária. Esse imenso
contingente de pessoas - boa parte moradora nas ruas ou em habitações
extremamente precárias - é o mais exposto às diversas formas de
violência, sobretudo em grandes cidades, como São Paulo.

Pesquisa elaborada pela Fipe revelou que 70% dos moradores de rua
desta cidade estão no auge de sua capacidade produtiva
. São
pessoas que perderam seus empregos e, em seqüência perderam também
a moradia, os vínculos familiares e afetivos, migraram, alteraram hábitos,
perderam referenciais e mergulharam na desordem emocional e muitas
vezes na dependência química. Nestas condições, a reintegração à
sociedade fica ainda mais difícil. A vida na rua leva ao anonimato, à solidão,
à perda de identidade.

O combate ao apartheid social e a criação de alternativas de inclusão
são hoje condições necessárias na busca de uma sociedade mais
digna e justa
. Esta busca passa, de um lado, pelo aprofundamento do
compromisso com a redução da pobreza, da violência e de todas as
formas de discriminação e, de outro, pela efetiva implementação de
políticas públicas que visem a superação dos conflitos e das situações de
violência.

Tendo como base tais premissas, a proposta deste Fórum é dialogar sobre
a construção de uma cultura de paz a partir de uma vivência de real
compromisso
com populações que vivem em condições de exclusão e
vulnerabilidade social, como os moradores de rua, os jovens privados de
liberdade e as crianças e adolescentes carentes portadores do vírus HIV.


Padre Júlio Lancellotti é Vigário Episcopal do Povo da Rua; coordenador da Pastoral do Menor
da Região Belém; Pároco da Paróquia São Miguel Arcanjo, da Mooca, responsável pela Casa
Vida, que abriga crianças e adolescentes portadores do vírus HIV, e pelo Centro de Defesa dos
Direitos da Criança e do Adolescente. É idealizador e apoiador de inúmeros projetos para a
inclusão da população de rua, como a Casa de Oração do Povo da Rua; a Oficina e Arte Luz da
Rua e a Casa Cor da Rua. É um grande incentivador dos catadores de materiais recicláveis, que
tem visto sua atividade profissional ser ameaçada. Como responsável pelo Centro de Defesa dos
Direitos da Criança e do Adolescente tem se empenhado em inúmeras lutas pela inclusão cidadã
dos menores em situação de risco.

ENTRADA FRANCA


8 de novembro de 2005 - terça-feira - 18 horas

Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Auditório Paula Souza

Av. Dr. Arnaldo, 715 - São Paulo - (Estação Clínicas do Metrô)

Realização: Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz
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