35º Fórum do Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz
- um programa da UNESCO -


EDUCAÇÃO, CULTURA,
ARTE E INDÚSTRIA DE
ENTRETENIMENTO
Alcione Araújo

A educação que o Brasil oferece não contempla a formação do profissional, do
cidadão e do ser humano. A preparação dos que cumprem o trajeto da escola
fundamental à universidade não é adequada às necessidades contemporâneas. O
analfabetismo funcional – incapacidade de entender o que se lê - prova o fracasso
do modelo. Ao fim do desgastante percurso o que se consolida não é mais do que
mero adestramento para a produção. Entendida como meio de se alcançar um
emprego, a educação frustra tanto estudantes quanto professores, além de deixar
grave atraso no processo de desenvolvimento social do país.

Incapaz de sistematizar a aproximação dos estudantes com as diversas formas de
expressão artística, o sistema de educação acaba por desincumbir-se da tarefa de
despertar a dimensão sensível do ser humano. Sem criar o hábito da vivência
estética, estudantes não se inserem na vida cultural do país. Instala-se a
esquizofrênica separação entre educação e cultura. Há perdas no processo de
desenvolvimento humano e cultural do país.

Num processo histórico no qual a arte tradicional não dialoga com a arte popular,
cresce um
grande afastamento entre as práticas culturais. Nesse vazio implanta-se, em
meados do séc. XX, poderosa indústria de entretenimento com insuspeitada
capacidade de sedução e raro poder de persuasão. Em meio século de atividades,
torna-se a principal referência cultural para grandes parcelas da população sem
escolarização, assim como aquelas escolarizadas, mas sem vivência cultural ou
visão crítica. Sua linguagem acaba por contaminar as formas de expressão cultural
tradicional e popular. Retarda-se o processo de universalização do acesso ao bem
cultural e atrasa participação da cidadania.


Alcione Araújo é romancista, dramaturgo, roteirista de cinema e televisão, cronista,
ensaísta, conferencista. Ex-professor universitário com pós-gradução em Filosofia. Escreveu
o romance Nem Mesmo Todo o Oceano (Ed. Record), finalista do Prêmio Jabuti. Acaba de
lançar o livro de crônicas Urgente é a Vida (Ed. Record). Como ensaísta participou entre
outros dos livros Os Sete pecados do Capital (Ed. Record), Para Entender o Brasil (Ed.
Allegro), Nossa Paixão era Inventar um Novo Tempo (Ed. Rosa dos Tempos). Escreveu 13
peças teatrais, entre as quais Vagas para Moças de Fino Trato, A Caravana da Ilusão, Doce
Deleite
e Muitos Anos de Vida - prêmio Moliére de Melhor Autor. Sua obra teatral está
publicada em três volumes, Teatro de Alcione Araújo, Ed. Civilização Brasileira. Escreveu 14
roteiros cinematográficos de longa-metragem, entre os quais Nunca Fomos Tão Felizes
(Prêmio de Melhor Roteiro festivais de Gramado e Brasília), Policarpo Herói do Brasil.


ENTRADA FRANCA


14 de setembro de 2004 - terça-feira - 18h
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo - Auditório Paula Souza
Av. Dr. Arnaldo, 715 - São Paulo - (Estação Clínicas do Metrô)

Realização: Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz -
www.comitepaz.org.br

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