17º Fórum do Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz
– um programa da UNESCO –

Diálogo: A Competência do Conviver

Prof. Dr. Humberto Mariotti

O diálogo é uma modalidade de conversação cujo objetivo é melhorar a comunicação entre
as pessoas e instituições e facilitar a produção de idéias novas e significados
compartilhados. Vem sendo utilizado de modo crescente em situações em que é necessário
complementar os meios tradicionais da discussão, do debate e da negociação. Ou seja:
quando é necessário ir além dos limites da diplomacia tradicional.

Um de seus pensadores fundamentais foi Martin Buber, introdutor da dialógica Eu e Tu.
O crítico literário russo Mikhail Bakhtin também produziu insights originais para o tema. O
físico americano David Bohm foi outra figura destacada: aperfeiçoou e divulgou a técnica
do diálogo, em especial nos últimos anos de sua vida. Em termos práticos, o diplomata
americano Harold Saunders — que terminou se dedicando exclusivamente ao método
—destacou-se por conduzir encontros nos quais se utilizou o diálogo em situações
delicadas, como os conflitos entre árabes e israelense, russos e afegãos.

O diálogo é uma forma de produzir e fazer circular idéias. Busca os seguintes objetivos:
a)melhorar a comunicação entre as pessoas;
b)observar o processo do pensamento;
c)criar redes de conversação;
d)produzir e compartilhar significados. Para praticá-lo é preciso um aprendizado, que
começa com a modificação dos hábitos mentais que dificultam nossa capacidade de
ouvir.
O questionamento básico do método é simples: o que temos como certo e fora de dúvida
nem sempre é o único modo de perceber e compreender o mundo. Daí a pergunta-chave: "E
se suspendermos ao menos temporariamente os nossos modos habituais de pensar — as
nossas "certezas" —, e assim conversarmos, para ver o que acontece?"
Trata-se, pois, de mudar de abordagem, trocar de posição, observar a partir de outros
ângulos, pensar os mesmos problemas de maneira diferente. O diálogo se aplica a qualquer
situação em que seja necessário produzir idéias novas e aprender em grupo.

Humberto Mariotti, médico e psicoterapeuta. Co-fundador da Sociedade Brasileira de Psicologia
Existencial Humanista (SP). Pesquisador em complexidade, pensamento sistêmico e ciência
cognitiva. Conferencista nacional e internacional. Coordenador do Grupo de Estudos de
Complexidade e Pensamento Sistêmico da Associação Palas Athena (SP). Co-fundador do Grupo
de Diálogo da Associação Palas Athena (SP). Autor de, entre outros livros, As Paixões do Ego:
Complexidade, Política e Solidariedade
(Editora Palas Athena).


– ENTRADA FRANCA –

23 de julho de 2002 – terça-feira – 18h
Local: Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Sala Walter Belda
Av. Dr. Arnaldo, 715 - São Paulo – (Estação Clínicas do Metrô)

Realização: Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz
– um programa da UNESCO –